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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

É AMOR?



No dia em que nos conhecemos sabia que algo ia acontecer. A música, o ambiente, a conversa. Mesmo que eu não quisesse, mesmo que eu tentasse o destino já tinha feito a nossa cena.
Alguns encontros depois eu sabia, mas sabia de verdade. O sorriso dele fazia minha alma sorrir também. As conversas divertidas e ainda um pouco tímidas de quem não se conhece muito a fundo, as mãos que sempre se procuravam, e a vontade cada vez maior de conhecer aquele mundo enigmático que me convidava delicadamente para fazer parte dele não me deixavam mentir. Era amor, só podia ser. O melhor som em meses era o apito do Whatsapp me avisando de uma nova mensagem, o tempo que passávamos juntos eram surpreendentes, e a química parecia não enjoar nunca do tato um do outro. Mas aí descobri que isso era só novidade, o nome daquilo que ganha outro significado depois que se conhecia a rotina.

Me acostumei tanto, que um dia sem a presença dele, física ou não, era um dia simplesmente perdido. Comecei a ter ciúmes das amigas que nem conhecia, a ficar invocada quando os finais de semana que não eram mais só meus, e a me entristecer por tão pouco, que qualquer passo fora da linha que eu havia ilusoriamente traçado, era motivo de consternação e claro, de tecer inúmeras caraminholas na cabeça. Se isso não era amor, não era mais nada. Se esquecer da própria individualidade em prol de alguém deveria ser a maior prova de devoção que se pode oferecer ao outro. Mas não, isso era só carência, o sentimento que cega muito antes de se perder o olhar.

Meses depois, eu ainda não sabia justificar a imensidão do que sentia por ele. Toda vez que parecia amor, eu compreendia que tinha algo muito além por trás. Então, como saber? Como se certificar absolutamente de que dentre todos os caminhos que se apresentavam naquele timing este era sim aquele o que tinha mais entrega? Como não confundir o brilho nos olhos, a saudade, o desejo, a expectativa, com algo que necessariamente é muito maior do que qualquer definição? Eu digo que só descobri que era amor de um jeito: quando eu permaneci.

Naquele momento que parece tudo desmoronar, que os ventos não conspiram a favor, quando surge aquele momento que você tem certeza de que o sentimento não é recíproco, e mesmo assim a gente não se deixa abalar, é o amor dizendo que aqui ele encontrou abrigo. Quando a admiração pede licença, o respeito abre passagem e o ego desce do seu pedestal soberano, também é o amor, garantindo que cada resquício de parceria seja dotado de merecimento.


Eu só queria dizer pra você não desista porque eu não desisti. Persista porque se existe vontade as coisas se ajeitam. Eu só queria dizer pra você não desistir, pois o mundo anda tão descartável...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

À ESPERA



Esperando...

Aquele dia em que vou saber se meu cafuné é o melhor do mundo.
Aquele dia em que vou saber se meu perfume é o mais gostoso.
Aquele dia em que vou saber se minha presença é importante nos momentos mais felizes e também nos mais difíceis.

Aquele dia que terei certeza que não sou só uma opção pro dia que não tem balada ou UFC até de madrugada.
Aquele dia que terei certeza que meu abraço é um lugar de paz. Que posso ser a amiga que sempre quis ter e que sentirá um tesão absurdo mesmo eu estando de pijamas de bichinhos.
Aquele dia em que vou receber um convite: "Vem aqui só pra ficar comigo, hoje só preciso de você!"
Aquele dia que terei certeza que não sou só sexo garantido.
Aquele dia que farei planos pro réveillon ou pelo menos para o próximo fim de semana.

Aquele dia em que não ficarei ansiosa, reclamando com as amigas das incertezas dessa vida.

Ás vezes questiono até a minha certeza de que quero ser tudo isso.

Mas não vou esperar pra sempre. Mesmo gostando tanto, mesmo me declarando. Mas vou ficar, vou ficar até quando eu achar que vale a pena.
Ainda vou relevar todas as vezes que for trocada por coisas mais importantes, vou continuar dando o espaço necessário. Até quando eu achar que devo.



Beijinhos

Carol Tafuri